top of page
Buscar

Como criar a sua Primeira Varinha


Você pode ter uma varinha ou várias. Uma só já é suficiente, mas algumas bruxas gostam de criar varinhas para propósitos específicos. Uma varinha pode, por exemplo, ser consagrada a um elemento diferente do fogo para torná-la mais afinada com feitiços de informação ou proteção, ou ainda para cura ou para caminhar pelos planos e caminhos de outros mundos.

Seja qual for a sintonia da sua varinha, o mais importante é que ela ressoe com você, e isso pode ser melhor alcançado quando você mesmo a faz, colocando sua energia criativa nela. Você saberá quando uma varinha é a certa para você. Sentirá uma afinidade intuitiva com ela, como se estivesse “chamando” você. Ao fazer suas próprias varinhas, você será atraído por um galho e inspirado a adaptá-lo ou decorá-lo como quiser (ou como ele quiser!). Essa decoração une o espírito da ferramenta ao seu próprio espírito.


Você também pode comprar varinhas em lojas ou encomendá-las a um artesão de varinhas. Não há nada de errado nisso. No entanto, há muito valor em criar a sua própria varinha, e algumas tradições exigem isso. A falta de habilidade artística costuma ser o motivo para recorrer a um fabricante profissional, que tentará materializar a visão que você tem. Muitas vezes, essas varinhas são verdadeiras obras de arte e podem ser muito inspiradoras, e é importante amar sua varinha para criar um vínculo com ela.


Comprando uma Varinha


Você encontrará artesãos de varinhas em lojas online que atendem ao público mágico. Muitas de suas varinhas são feitas torneando a madeira em um torno, algumas são esculpidas em argila ou metais, e outras talhadas ou moldadas a partir de galhos naturais. Nem todas são feitas com intenção e concentração mágicka, encantadas e dotadas de um núcleo astral, mas isso não as torna menos utilizáveis (apenas mais simples). Se o artesão de varinhas aborda a criação como um mago, é bom que, em seu encantamento, faça um ritual separado da varinha para permitir que ela crie vínculo com você, o dono e usuário. Ainda assim, não existem regras rígidas na confecção de varinhas, assim como não existem em outros ramos da magia, apenas diversas tradições e abordagens desenvolvidas por meio da intuição, inspiração e reflexão.


Fazendo Sua Própria Varinha


A criação é um ato divino. Você está empregando seu deus e sua deusa interiores quando cria com suas próprias mãos e olhos. Fazer sua própria varinha é a melhor forma de criar uma ferramenta moldada de perto ao seu próprio espírito.


ESCOLHENDO UM GALHO E CORTANDO-O


Escolher um galho é o primeiro passo. Recomendo escolher um de uma árvore com a qual você já tenha alguma familiaridade. Escolher a árvore por afinidade e atração pode ser melhor do que decidir racionalmente que você quer uma varinha de olmo e depois sair caçando uma árvore de olmo. Às vezes, uma árvore jovem será uma escolha melhor do que uma velha, porque seus galhos são mais fáceis de alcançar.


Embora cortar um galho de uma árvore para fazer uma varinha mágicka não seja proibido, é necessário falar com a árvore e pedir sua permissão primeiro, além de deixá-la em bom estado, sem desfigurá-la. Trate isso exatamente como pedir a um amigo um de seus dedos. Descobri que o melhor é esperar até que a árvore solte naturalmente um galho adequado ou até que precise ser podada para sua própria saúde ou para a saúde das vizinhas. Nesses casos, você não pode escolher exatamente o galho da varinha, mas ganha a vantagem de receber um presente da árvore, o que, no fim, é mais poderoso.


Nem todo galho caído é adequado para uma varinha. Ele precisa estar firme. Se você tentar dobrá-lo e ele quebrar ou rachar facilmente, está muito deteriorado. Mas muitos galhos ofertados pelas árvores ainda possuem força e guardam um fio do espírito da dríade da árvore. Não é necessário, pela minha experiência, ter um “galho virgem” cortado da árvore com um só golpe de foice ou faca ao amanhecer de uma lua crescente. No entanto, se quiser fazer assim, não há problema, e isso tornará a varinha mais especial para você e, portanto, mais ligada aos seus próprios poderes. Alguns magos aconselham cortar o galho no período de dormência da árvore, no inverno, quando a seiva não está fluindo.


O importante é pedir permissão à árvore e explicar a ela o que você vai fazer com a varinha. Muitas árvores se sentem honradas em fornecer um galho que será usado para magia. Se quiser cortar o galho no inverno, pensando em poupar a árvore de alguma dor, certifique-se de combinar isso no verão, quando ela está desperta e consciente.


O corte em si pode ser feito, em teoria, com um único golpe de uma espada poderosa, mas sugiro usar um serrote de poda. Isso dará um corte limpo, que cicatriza melhor. Se quiser “enfaixar” o ferimento, cubra-o com cera. Isso impedirá que insetos entrem na ferida enquanto ela cicatriza. O corte, se feito próximo ao tronco ou à base de um galho maior, deixará eventualmente um nó na madeira. É disso que os nós se formam — o padrão de fibras onde um galho se uniu ao tronco de onde brotou.


AGRADECENDO À ÁRVORE


Algo deve ser oferecido em troca do galho que você leva. Isso serve para equilibrar a troca e agradecer à árvore. Começar a magia da sua varinha com uma expressão de gratidão coloca seu futuro em bases corretas. Da mesma forma, começar com uma atitude de superioridade ou descuido marcará negativamente o tom do seu trabalho mágicko com a varinha.


REMOVENDO A CASCA


De modo geral, se houver casca no galho, você provavelmente vai querer remover pelo menos uma parte dela. O cabo pode permanecer com casca no caso de árvores que possuem casca resistente, como o carvalho ou o olmo. Algumas, como a cerejeira ou a bétula, têm cascas finas e soltas que enrugam e se soltam à medida que o floema embaixo seca e encolhe. Na maioria dos casos, é melhor alisar e polir o cerne e retirar a casca e a camada de madeira mole que ficam por baixo, pois são difíceis de selar e conservar.


RASPANDO E LIXANDO


Um raspador é uma ferramenta que você talvez conheça mais pelo nome de “lima”. Ele tem um padrão de dentes de aço de vários tamanhos que cortam a madeira. É ótimo para dar forma geral, porque remove a madeira (especialmente a parte externa mais macia, logo abaixo da casca) muito mais rápido que a lixa. A após a lixa, use uma esponja plástica, que é uma bênção para os fabricantes de varinhas, porque a palha de aço pode deixar minúsculos fiapos de metal na madeira, e ferro é a última coisa que você quer na sua varinha — a não ser que o objetivo seja espantar todas as criaturas astrais da vizinhança. Elas não vão gostar muito de você.


O que há de errado com o ferro?


Por que os habitantes do “mundo espiritual” fogem do ferro? Uma faca de lâmina de ferro é empregada para banir um círculo antes do trabalho, a fim de desencorajar entidades travessas. A razão é o magnetismo do ferro. Quando um ser se manifesta no plano material, a manifestação costuma ser bastante efêmera. O corpo etérico que os seres astrais assumem pode ser perturbado por um campo magnético.


Por que deveriam se importar? Não poderiam simplesmente criar um novo corpo etérico? Coloque-se no lugar deles: depois de todo o trabalho de atender a um chamado, dar a si mesmos uma forma visível e estabelecer contato, ter alguém a espetar com uma barra ou lâmina de ferro e desintegrar seu corpo etérico é extremamente irritante, sem falar em doloroso.


Minhas Varinha está fisicamente pronta, e agora?


Antes de iniciar é necessário estabelecer o vínculo com a varinha. Quando esta é encantada para despertar a dríade da árvore de onde foi formada, torna-se de imediato um aliado inteligente. O espírito da varinha, em qualquer forma concebida, a torna um ser vivo, jamais um simples pedaço de madeira. O ritual que segue é um modelo que pode ser adaptado de acordo com a madeira, os elementos e as virtudes da varinha que se deseja encantar.


PREPARAÇÃO


Purifique-se em banho cerimonial, ungindo-se com óleos herbais de limpeza. Vista-se em trajes rituais e recolha-se a um espaço consagrado — um santuário, uma sala ou um lugar sagrado ao ar livre.


Diante do altar, disponha as manifestações dos quatro elementos:


• Adaga ou athame, representando o Ar.

• Pantáculo de pedra ou prato com sal, representando a Terra.

• Taça ou tigela com Água da Lua, representando a Água.

• Sua própria Varinha como representação do Fogo, acompanhada de vela e incenso no quadrante Sul.


No altar também devem estar:

• Um sino.

• Óleo Mágicko.

• Seu Livro das Sombras.

• Uma vela central acesa.


Coloque a varinha a ser consagrada à sua frente, voltando-se para o Norte. Inicie meditação até alcançar o estado de consciência adequado.


LANÇAMENTO DO CÍRCULO


Com a mão, bastão ou outra varinha, trace o círculo três vezes, entoando:


“Eu lanço este círculo em volta de mim agora,

E com força protetora o selo.

Com força etérea e sublime,

Aqui se marca o espaço e o tempo sagrados.”


Em seguida, invoque os espíritos elementais:


• Ao Leste:“Em nome do Falcão do Amanhecer que voa no ar puro,invoco-vos,

Espíritos do Oriente e do Ar. Enviai-me vossos sílfos, concedei-me sabedoria, proteção e força.Que assim seja.”


• Ao Sul:“Em nome do Cervo do Verão em meio ao fogo da caça,invoco-vos,

Espíritos do Sul e do Fogo.Enviai-me vossas salamandras, concedei-me sabedoria, proteção e força.Que assim seja.”


• Ao Oeste:“Em nome do Salmão da Sabedoria nas águas profundas,invoco-vos,

Espíritos do Ocidente e da Água.Enviai-me vossas ondinas, concedei-me sabedoria, proteção e força.Que assim seja.”


• Ao Norte:“Em nome do Urso Estrelado no céu do Inverno,invoco-vos,

Espíritos do Norte e da Terra.Enviai-me vossos gnomos, concedei-me sabedoria, proteção e força.Que assim seja.”


No centro, proclame:

“Bem-vindos, espíritos abençoados, a este círculo de trabalho.

Afastai toda força malévola e bani os pensamentos perturbadores.”

Toque o sino e curve-se ao centro.


CONSAGRAÇÃO DA VARINHA


Segure a varinha diante do Norte e erga-a sobre a chama da vela, movendo-a suavemente:

“Varinha de Imbuia (ou da madeira correspondente),eu te consagro com o fogo secreto.”


Passe-a pela fumaça do incenso:“Com a clara inteligência do ar.”


Toque-a no pantáculo de sal ou pedra:“Com o poder de manifestação da terra.”


Unte-a com Água da Lua:“Eu te unjo com as águas lustrais da Lua.”


Unte-a com Óleo Mágicko: “… e com o Óleo Mágicko de (nome do Óleo).”


Por fim, leve o pomo da varinha aos lábios e sussurre:

“Eu te respiro o sopro da vida. Desperta!”


Visualize o núcleo da varinha brilhando como brasa viva, despertando e tornando-se receptáculo da sua vontade e do espírito que nela habitará.


(Retirado de "Ferramentas da Bruxa: A Criação de Cajados e Varinhas" de Alf. Gwy. MacLir)

 
 
 

Comentários


©2024 por Eduardo Ribeiro

bottom of page